CASE · 01
Sephora México — o primeiro grande dividendo
Vinte meses para entregar €6,8M e reorganizar uma diretoria queimada
Período
jul/2017 – abr/2019
Cargo
CFO México
Operação
Joint venture recém-comprada por Sephora (LVMH)
O CONTEXTO
A Sephora tinha acabado de comprar a joint venture mexicana. As pessoas eram as mesmas; o que mudou foi quem respondia por quê. A estrutura financeira anterior operava em modo reação — esperar pedido, executar, devolver. Sem produção própria, sem proatividade, sem pensamento estratégico. O CFO anterior aprovava de cinco pesos a cinco milhões de dólares. Tudo passava por uma cadeira só.
O PROBLEMA
O mandato era simples: gerar caixa, pagar o primeiro dividendo para França. Em paralelo, o time de finanças precisava virar pensante — sair do modo executor para propor estratégia. E havia uma cisão estrutural na diretoria que ninguém estava enxergando.
AS DECISÕES
- Reorganizar o time logo no primeiro mês. Reuniu o time de finanças e disse a frase que virou o choque inicial: 'não era para ninguém ser secretário executivo da presidência. Era para a gente trazer coisas pensantes.' Falou pessoa por pessoa — jurídico, auditoria, contabilidade, tesouraria, planejamento — todo mundo na mesma direção: pensar antes de executar.
- Renegociar prazo de pagamento com fornecedores top. Top fornecedor era a Estée Lauder — onde tinha trabalhado três anos antes, do outro lado da mesa, vendendo. O presidente da operação local pediu reunião alegando falta de SKU em loja. Felippe rodou todas as lojas no fim de semana, tirou foto, fez relatório, voltou: 'ó, não está faltando nada.' Falou 'não' nove vezes na reunião. A renegociação se estendeu para L'Oréal, Urban Decay e fornecedores de serviço.
- Acionar o grupo controlador contra a operação local. Existia uma cisão no time de diretores. Levou o caso para chefe direta, presidente Sephora América Latina, que escalou para LVMH global. Um mapeamento institucional de perfis foi feito. Em sequência: saiu o diretor de vendas, depois o diretor de merchandising, depois Felippe foi para Espanha. Meses depois, a presidente do México também saiu. Toda a diretoria foi trocada.
RESULTADOS
€6,8M
Primeiro dividendo à matriz francesa (dez/2017)
240→160d
Redução de cobertura de estoque
15→26
Crescimento de lojas durante o ciclo
A entrega aconteceu. Em dezembro de 2018, pediu a próxima vaga — aplicou para uma vaga corporativa global em Paris. O CFO global da época respondeu: 'legal, mas não tem nada a ver com seu perfil, não é o momento.' Em janeiro de 2019, a CFO de Espanha pediu demissão. O convite chegou. O 'não' abriu o 'sim'.
O APRENDIZADO
Resiliência sob pressão cultural — aprendeu a confrontar com lastro material (fotos de loja, planilhas, KPIs documentados). Aprendeu a pedir a próxima vaga (padrão 'pedi → recebi não → recebi sim em outra vaga' virou meta-estratégia). E aprendeu o custo da forma. Hoje, na Gucci, articula: 'é menos o conteúdo e talvez mais a forma agora que eu preciso adaptar. E estou oito anos mais velho também.'
O QUE ESSE CASE OFERECE AO MERCADO
Útil para empresas em fase pós-aquisição ou pós-fusão que precisam de CFO sênior para substituir liderança centralizadora, instalar cultura de pensamento estratégico em time historicamente reativo, e escalonar reorganização via grupo controlador quando necessário. Especialmente em ambiente matricial com matriz europeia.